Thursday, January 28, 2010

A Morte de Howard Zinn







por Thaddeus

O historiador americano Howard Zinn teve uma influência tremenda na minha vida e sob minha visão dos Estados Unidos através de seu livro de seu livro A Peoples’ History of the United States (Uma História Popular dos EUA). O fato que seu livro, que revolucionou a historiografia americana, nunca foi traduzido para português é um sinal triste de quão pouco o Brasil conhece as coisas realmente importantes daquele país.


Nascido em 1922 numa família imigrante judaica e operária de Nova Iorque, Zinn lutou na Segunda Guerra como membro da tripulação de um avião bombardeiro B-17. Saiu do Exército transformado em pacificista convicto. Trabalhou nas estalagens de sua cidade natal e usou seus benefícios de veterano para se educar nas universidades de New York e Columbia, onde formou com seu PhD em história em 1958, com 36 anos (coragem, para vocês que, como eu, entraram nessa carreira tardiamente).

Entre 1956 e 1963, Zinn era um professor na universidade negra e feminina Spelman College em Atlanta Georgia, onde se envolveu na luta para direitos civis. Por causa de seu apoio às alunas de Spelman e sua crítica da ênfase da universidade em formar “jovens senhoritas” num momento em que as mulheres negras e universitárias engajavam-se na luta contra a segregação racial, o Zinn foi demitido de sua posição. Em 1964, empregou-se na universidade de Boston, da onde aposentou-se em 1988. Até o final de sua vida, continuou ser educador, escritor e militante.

Zinn era inimigo  feroz do militarismo americano, se opondo ativamente às várias guerras dos EUA nos últimos 50 anos. Sua obra maestra, A Peoples’ History of the United States, recupera a história da luta de classe e do anti-imperialismo nos EUA e é leitura obrigatória para qualquer um que quer entender aquele país.

Sem dúvida alguma, foi o exemplo de Zinn (entre outros) que me deu ímpeto para ir atrás de meu próprio PhD e virar professor. Agora que ele se foi, o mundo ficou um pouco mais escuro e as chances da humanidade de sobreviver as próximas 50 anos minguaram uma tiquinha a mais.

Adeus a Howard Zinn, uma das poucas pessoas sobre qual podemos dizer, sem ironia alguma, “He was a great American”.

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