Wednesday, June 3, 2015

Informações úteis sobre como proteger sua anonimidade on-line e, ao mesmo tempo, deixar os conservadores pasmos



Todos vocês devem ter ouvidos de “onion routinbg”... “devem”, porém, dúvido que a maioria sabe do que estou falando.

Onion routing foi inventado para que os grupos oprimidos podem evitar a censurar. Basicamente, você baixa um programa que instala um “browser” novo em seu computador que pode ser atividao quando você quer (e somente quando você quer – ele não vai se instalar como seu browser normal). Esse comunica automaticamente como uma rede enorme de outros computadores, passando informações quase aleitaoreamente de computador em computador, apagando seus rastros. Quando sua mensagem chega a seu destino, suas origens são quase por completa eliminadas.

O browser onion routing mais famoso chama-se de Tor e ele é gratuito. Foi parcialmente desenvolvido pela CIA, então eu não tentaria usá-lo para tais coisas como a derrubada do governo ou a propagação do terrorismo oua venda de substâncias controladas. Porém, para te providenciar anonimidade no dia-a-dia, ele é perfeito.

Porque instalar um Onion router?

Bom, pensa só, por exemplo, no atual enquete da Câmara dos Deputados (aqui), promovida pela bancada conservadora e preguntando se o Brasil acha que uma família deve ser “uma união entre um homem e mulher”?

Com Tor, você pode votar nessa enquete tantas vezes quanto quiser. É só clicar na icone no browser Tor (uma cebola), no campo superior a esquerda da tela e escolher “new identity” (nova identidade). O sistema da Câmara é tão archaico que você pode votar tantas vezes quanto quiser, simplesmente clicando em “new identity” entre cada votação.

Onion routing e Tor são ferramentas úteis para qualquer ativista na internet. Baixa seu, já!

Infelizmente, tem poucas informações em português sobre “onion routing”. Pode encontrar as informações de Wikipedia em inglês aqui.

Um excelente artigo do ativista para direitos humanos, Scott Long, sobre como Onion routing é importante no atual cenário político mundial pode ser encontrado aqui, em inglês e espanhol.

Informações sobre Tor, em português, podem ser encontradas aqui.

Você pode adquerir seu Tor, de graça, aqui.

Friday, May 22, 2015

Quem são os sodomitas? Uma interpetação bíblica estrita



 

Lendo a Bíblia hoje de manha, particularmente a Gênesis 19:3-4, a história de Ló e Sodoma.

Vocês que me conhecem podem estar estranhando agora. “Tadeu lendo a Bíblia? O que aconteceu? Deu febre?”

Pois sabem, seus incultos e cínicos, que tive uma excelente formação luterana como menino. E diferente de vocês católicos e evangélicos, nós luteranos (os verdadeiros bem-amados de Deus desde de Breitenfeld, 1631 – sei disto porque meu pastor jurou que é a verdade), eu tive que realmente ler a Bíblia.
Além disto, desde criança, sempre tive uma queda por histórias de fantasia que envolvem muito sangue, sexo e sacanagem. Por isto gosto tanto de Game of Thrones (GEORGE R.R. MARTIN. 2013. New York: Random House). E nada, mas nada é melhor neste respeito que o fundador do gênero, na tradição ocidental, a Biblia Sagrada (SAULO DE TARSO, et al. 60. Roma: self-published).

Ademais, tive que l
er a bíblia duas vezes: uma na escola dominical e novamente na cadeia em 1986, quando fiquei presa por algumas semanas em Brevard County, Flórida, após de uma ação direta contra o primeiro lançamento do míssil nuclear Trident II no Cabo Kennedy.

O único livro que era permitido aos presos era a Bíblia. Todos os dias, o Xerife mandou um pastor batista à nossa cela para tentar nós converter do que ele presumia era o mal do comunismo. Uma péssima ideia, quando sua cadeia está cheia de Jesuitas e Quakers que foram presos por acreditar que Deus os instruiu a lutar contra as armas nucleares.... Mas justiça seja feito: o que o tal pastor batista não tinha em termos de conhecimento ou inteligência, tinha em teimosia e fervor. Ele veio todos os dias para o almoço, religiosamente. Era como ver a Guerra dos Trinta Anos irromper-se na minha sala de estar por quatro horas, todo dia, por duas semanas.

No final do processo, cheguei a
duas conclusões firmes:

1) A Bíblia é um espelho: você vê nela o que você tem por dentro de você, em toda sua plenitude sócio-históric
a-psicológica.

2) Ninguém – mas ninguém mesmo – faz insultos passivos-agressivos melhor que os Quakers.

É interessante o que acontece quando você lê a Bíblia usando seu cérebro e o que sabemos da história e
da cultura, em vez de simplesmente regurgitar o que o pastor/padre/guru/líder do culto afirma ser a verdade. E a história de Sodoma é particularmente interessante neste respeito, pois uma leitura atenta a ela demonstra muito ao respeito das verdadeiras preocupações e preconceitos que muita gente tenta justificar com recursos bíblicos.

Para começar, é muito discutível se a cidade de Ló foi destruída por causa da homossexualidade de seus residentes.

Mas antes de chegar neste ponto, vamos d
ar uma olhada no texto em si. Para evitar outro debate de proporções cataclísmicos, estou usando aqui a a versão Católica do texto. (Sim, meus caros cristãos: existem várias traduções da Bíblia, que contém diversas e as vezes contraditórias interpretações das palavras supostamente eternas e imutáveis do Senhor. Se você acha que pode ler a Bíblia LITERALMENTE, então – como diria meus velhos colegas Quakers – você deve dar graças a Deus que Ele não te sobrecarregou com mais que uma suficiência de capacidade mental.)

1. Pela tarde chegaram os dois anjos a Sodoma. Lot, que estava assentado à porta da cidade, ao vê-los, levantou-se e foi-lhes ao encontro e prostrou-se com o rosto por terra.

2. “Meus Senhores, disse-lhes ele, vinde, peço-vos, para a casa de vosso servo, e passai nela a noite; lavareis os pés, e amanhã cedo continuareis vosso caminho.” “Não, responderam eles, passaremos a noite na praça.”
3. Mas Lot insistiu tanto com eles que acederam e entraram em sua casa. Lot preparou-lhes um banquete, mandou cozer pães sem fermento e eles comeram.
4. Mas, antes que se tivessem deitado, eis que os homens da cidade, os homens de Sodoma, se agruparam em torno da casa, desde os jovens até os velhos, toda a população.
5. E chamaram Lot: “Onde estão, disseram-lhe, os homens que entraram esta noite em tua casa? Conduze-os a nós para que os conheçamos.”
6. Saiu Lot a ter com eles no limiar da casa, fechou a porta atrás de si
7. e disse-lhes: “Suplico-vos, meus irmãos, não cometais este crime.
8. Ouvi: tenho duas filhas que são ainda virgens, eu vo-las trarei, e fazei delas o que quiserdes. Mas não façais nada a estes homens, porque se acolheram à sombra do meu teto.”
9. Eles responderam: “Retira-te daí! – e acrescentaram: Eis um indivíduo que não passa de um estrangeiro no meio de nós e se arvora em juiz! Pois bem, verás como te havemos de tratar pior do que a eles.” E, empurrando Lot com violência, avançaram para quebrar a porta.
10. Mas os dois (viajantes) estenderam a mão e, tomando Lot para dentro de casa, fecharam de novo a porta.
11. E feriram de cegueira os homens que estavam fora, jovens e velhos, que se esforçavam em vão por reencontrar a porta.
12. Os dois homens disseram a Lot: “Tens ainda aqui alguns dos teus? Genros, ou filhos, ou filhas, todos os que são teus parentes na cidade, faze-os sair deste lugar,
13. porque vamos destruir este lugar, visto que o clamor que se eleva dos seus habitantes é enorme diante do Senhor, o qual nos enviou para exterminá-los.”
 

A história é basicamente o seguinte:
 
Dois caras estranhos chegam em Sodoma e Ló os convidam para ficar em sua casa. Uma turba chega na noite e quer violar seus visitantes. Ló defende eles, oferecendo suas duas filhas virgens aos estupradores em troca. Eles não aceitam. Os visitantes, sendo anjos (surprise!), então destroem a cidade, pois Deus ficou zangado.
 


"Meu marido ofereceu nossas filhas para o estupro, mas sou eu que fui transformada num pilar de sal. Precisa de mais provas de como o Deus do Velho Testamento era patriarco?"


O importante entender aqui é que Ló estava agindo de acordo com as regras do bom convívio do judaismo antigo, codificadas no Levítico. Levítico também é um trecho interessante da Bíblia pois é pelo que eu saiba, o único lugar no livro que condena o que muitos cristãos chamam a homossexualidade. Não me fala do Saulo de Tarso e suas cartinhas aos fiéis do Novo Testamento, pois as “abominações” que Saulo fala sobre para os Corintianos, Gregos e Romanos são codificadas em Levítico. Ele está simplesmente tentando levar essas regras de comportamento (e um monte de regas novas que ele, aparentemente, inventou do nada) para os outros povos do mediterrâneo. O fonte original disto tudo é Levítico.

Idem para os “crimes” ou “abominações” dos sodomitas. Quando Ló suplica-se para seus co-cidadãos “não cometais este crime”, ele está referindo ao código criminoso contido em Levítico. Tudo bem, então, neh? Como “conhecer” é código bíblico para “ter relações sexuais com”, podemos ter certeza que o problema aqui é um bando de homens sodomitas queria comer os cus dos anjos hospedados por Ló e, por essa razão, a cidade do Sodoma foi destruída.

Mas será que “homossexualidade” era realmente o crime sendo punido?

Olha só: sei que a maioria cristão não gosta de ler, muito menos ainda a Bíblia, que é um livro divertido, mas também bastante opaco e difícil de entender. Dos poucos que leiam, a vasta maioria não além de uma leitura cuidadosamente guiada por seu pasto/rabino/padre/guru etc. Por isto, talvez, a vasta maioria dos cristãos que odeiam a homossexualidade não são cientes de dois fatos:

1) O Levítico é um enorme compêndio de regras, a vasta maioria das quais – não pode tocar numa mulher menstruada; não pode usar roupas que combinam fibros de duas origens diferentes; não pode comer carne de porco; não pode fazer tatuagens; é preciso ser circuncisado; etc. – são plenamente ignoradas pelo cristianismo.

2) O Levítico não condena a homossexualidade – pelo menos não todos os variantes.

A situação é tão absurda que já vi cristão tatuado e não circuncisado, comendo carrê me dizer que é contra a homossexualidade porque a Bíblia afirma que é uma abominação. É difícil se manter calma frente tamanho asneiras, mas tento seguir o exemplo de meus irmãos Quaker.

O que Levítico de fato fala sobre homossexualidade é isto: "Não te deitarás com homem como com mulher; é abominação". A palavra “homossexual” não existia naqueles tempos, então a proibição não era contra o “homossexualismo”. Além disto, a condenação está claramente falando de relações entre os homens. O Levítico era muito cuidadoso no delineamento dos papeis masculinos e femininos no judaismo e nunca usa “homem” como termo geral indicando todos os seres humanos. Quando fala “homem”, tem um indivíduo em mente: um ser humano que tem pênis e barba (judaismo tradicional, lembre-se?). Então, minimamente, não é a homossexualidade ou “homossexualismo” que está sendo condenado aqui, mas só relações sexuais, e estes somente quando são feitos entre dois homens.

Mas tem mais. O que quer dizer, então “como com mulher”? Aparentemente, pode-se deitar com homens, mas não como se estes fossem mulheres. Algumas pessoas afirmam o óbvio aqui: deitar, não pode, mas sexo anal, oral, ou masturbação mútuo (além de outras variações) pode, desde que esses sejam feitos em pé. Mas a palavra “deitar” aqui indica uma série de relações de gênero que eram codificados no ato sexual no Israel antigo. Significa possuir a mulher (enquanto posse, mesmo: sim, como sua propriedade – patriarcado, lembre-se?) através do ato sexual. Em outras palavras, na sexualidade judaica antiga, a virgindade era entendida como selo de garantia: uma vez quebrada, o quebrador era responsavel para a mercadoria. Não importava-se como a virgindade era “tomada”: relações consensuais, sedução, estupro... Comeu, comprou. Além disto, a posição sexual da mulher como “deitada” não era por acaso: a mulher judaica era para ser absolutamente submissiva ao homem, particularmente em questões sexuais. Seu prazer, seus gostos e desejos, não eram importantes no relacionamento: importante era sua submissão frente a seu marido, seu senhor.
A história de Ló é um exemplo excelente disto: sendo patriarco, ele pode oferecer suas duas filhas para serem estupradas por uma turba raivosa, sem piscar os olhos. Ló, os anjos e – aparentemente Deus – não tem problema algum com isto e a Bíblia nem fala como foiu a reação das filhas de Ló a sua oferta. Mulher não contava naqueles tempos. Ponto.

É claro, elas conseguiram encontrar uma maneira de devolver o "favor" mais tarde...

O que tudo isto indica é que Levítico condena a
ideia de que um homem pode transformar outro homem em, essencialmente, um escravo submisso através das relações sexuais. Nesta interpretação de Levítico – que é absolutamente tão válida em termos de suas origens quanto as interpretações evangélicas de hoje – o que está sendo proibido são as relações de submissão e dominação sexual entre os homens.

Ou seja, gente: troca-troca, pode e deve. O que Deus não gosta é que você come o cú dos outros sem oferecer seu.




E todos esses anos, não estavamos entendendo bem a verdadeira mensagem de certas congregações batistas.


Sendo que, hoje em dia, ninguém nem deita com mulher “como com mulher”, no sentido Leviticano da palavra, acho melhor e mais correto,
corrigindo a Bíblia pelas mudanças culturais dos últimos séculos, entender Levítico 18:22 da seguinte maneira: “Não usaras o sexo para subordinar outro humano: isto é uma abominação”.

E se vocês acham que não tenho a autoridade de re-interpretar o Levítico assim, eu te digo que tenho a mesma autoridade que Saulo de Tarso
tinha. Deus também me apareceu, num enorme luz (e falando nos tons de um elder Quaker), me dizendo “Thaddeus, esses pobre-coitados, mentalmente limitados, que se dizem cristãos não entenderam balofas de minha mensagem principal aos humanos: trata o próximo como você quer ser tratado (a menos que você é masoquista, é claro). Vai e leva minha palavra às massas.”

Pronto. Veio diretamente do Senhor. Viu como é fácil?


Voltando ao Levítico (e depois vamos voltar ao Ló, que deixamos lá na porta, oferecendo suas duas filhas para serem estupradas), é notável que a palavra hebraica original, referenciada em 18:22, nem é “crime” e muito menos “abominação”: é
to'ebah, que quer dizer “algo que quebra uma lei ritual”. Isto situa a homossexualidade, no máximo, no mesmo patamar com o consumo de porco ou raspando sua barba – para não mencionar os 362 OUTRAS proíbições da lei talmúdica que os cristões ignoram sem o menor problema. Se os velhos hebraicos queriam dizer que a homossexualidade era uma “abominação”, uma violação moral, ou um pecado, eles tinham uma palavra apropriada para essa tarefa: zimah.Os cristãos modernos traduzem to'ebah como abominação quase exclusivamente em conexão com a homossexualidade por causa de suas traduções erradas das palavras de nosso bom e velho amigo Saulo de Tarsos. Saulo usou as palavras gregas malakoi and arsenokoitai para condenar os crimes sexuais em Corintianos 6:9 e Romanos 1:28. Mas, infelizmente (para os homofóbicos), essas palavras também não referem-se a homossexualidade. Novamente, se o Saulo queria, de fato, condenar a prática de um homem ter relações sexuais com um outro, ele tinha uma palavra apropriada para essas fins: paiderasste.

Saulo, famosamente, não gostava do sexo e achava que era melhor ser virgem. Sendo isto impossível, a segunda opção seria um casamento monogâmico. De onde Saulo tirou essas idéias não é bem claro, pois certamente nada no judaismo autorizo o nojo com qual ele encarava o ato sexual. A meu ver, estamos lidando aqui com um problema psicológico do próprio Saulo que foi, erroneamente, traduzido para o dogma cristão séculos após de sua morte.

Mas, mesmo aceitando Saulo como uma figura mais importante que o próprio Jesus em termos de suas capcidades de ditar as regras do bom convívio cristão, é importante entender que ele não era contra a homossexualidade, em se, mas sim contra tudo e qualquer tipo de atividade sexual, particularmente se o fim disto era o prazer. Todo prazer carnal, de acordo com Saulo, se afastava do Senhor. Novamente, é dificil aceitar um cristão gordo tatuado e sem barba, comendo seu quinto cachorro quente enquando se veste uma camiseta de poliester e algodão, me dizer que o Levítico e Saulo autorizam ele a condenar homossexualidade como “abominação”. 


Esse cara, por exemplo, obviamente leva suas proibições biblicas muito a sério.

 
Voltando ao Ló, então, e sua oferta gentilíssima de suas filhas à turba de estupradores, podemos dizer com certo grau de certeza que o problema aqui, em termos do ponto de visto de Deus, não era a homossexualidade (porque o Ló ofereceria suas filhas ao estupro para uma banda de homossexuais?) O que, então, fizeram os habitantes de Sodoma para merecer o extermínio?
Bom, isto é razoavelmente claro. O grande pecado do povo de Sodoma foi seu atitude arrogante e sua rejeição da noção de que eles deviam respeito ou dignidade ao resto da humanidade.

Além de tentar estuprar dois homens (sujeitar eles à dominação como se fossem mulheres – nota bem, novamente, que ninguém tinha qualquer problema com a idéia do estupro das filhas de Ló) cujo único “crime” era ser estrangeiros que entraram na cidade, o povo de Sodoma era notório por achar que eles eram os melhores humanos da terra e, dessa maneira, não devia caridade ao próximo, como pregava a lei talmúdica.

A cidade é referenciada múltiplas vezes na Bíblia e sempre em referência a este problema: nunca em referência à homossexcualidade. Olha só, por exemplo, a Ezequiel 16:49, que não podia ser mais claro:

E esta foi a malignidade de tua irmã Sodoma: ela e suas filhas eram arrogantes; tiveram fartura de alimento e viviam sem a menor preocupação; não ajudavam os pobres e os necessitados.

O pecado dos sodomitas era ser arrogante e desprezar seus deveres, tanto aos disafortunados quanto aos estrangeiros que passavam por sua cidade. E isto é extremamente claro numa das únicas duas falas que os sodomitas direcionam a Ló (que não era nativo da cidade):

Eis um indivíduo que não passa de um estrangeiro no meio de nós e se arvora em juiz! Pois bem, verás como te havemos de tratar pior do que a eles.”

E é por ali que comecei essa diversão bíblica hoje de manha, pois acho irônico que é justamente a extrema direita cristã que condena tanto a “sodomia”, mas que prática a exclusão social de todos os tipos e hoje, nos EUA e no Brasil, reluta para o “direito” de tratar as pessoas que não gostam como menos que cidadãos ou seres humanos.

Essa frase soltou aos meus olhos hoje, sendo que recentemente argumentei com vários “bons cristãos” brasileiros que tem me direcionado exatamente essa mesma fala: quem sou eu, gringo, para ter uma opinião sobre tais assuntos brasileiros como
, por exemplo, a descriminalização do aborto e das drogas ou a diminuição da maioridade penal?

E lembrei, particularmente, desse pequeno peido solto pela boca de M. Feliciano (que é quase tão bom no quesito “agressão passiva” quanto meus antigos mentores Quaker) que, essencialmente, afirma a mesma coisa para com meu amigo Professor Richard Parker.
Sendo que tenho um senso de humor bem mais negro que o de meus antigos colegas de cela jesuitas e Quaker, me divirto quando observo que esses cristãos, que supostamente levem a Bíblia tão a sério, acham necessário repetir o pecado de Sodoma numa escala jamais imaginada pelos residentes daquela cidade. Redução da maioridade penal, pena de morte para traficantes, prisão para as mulheres que abortam, espancamento e exclusão de prostitutas, o fechamento das fronteiras contra os estrangeiros, a carceralização da sociedade, a militarização da polícia, para não dizer a perseguição dos LGBTs.... todas essas atitudes são, propriamente falando, taxáveis de “sodomia”, neh?

Me pergunto como essas pessoas “du bem”, que se dizem ser guiadas pela Bíblia, podem pensam que uma sociedade pode prosperar desse jeito?

Friday, April 10, 2015

Ô, Mané...


Monday, February 2, 2015

Macacos me mordem: orangutangos são traficados para a prostituição


Ouvimos desse caso hoje: aparentemente, orangutangos estão sendo forçados a se prostituir na Ásia.

Sempre atentos a necessidade de conscientizar o público brasileiro sobre o crime horrendo do tráfico, fizemos o seguinte cartaz.

Paulo Abrão, esperamos seu contato.

Tuesday, January 6, 2015

A hiperssexualização da mulher negra e a política da respeitabilidade.


Hiperssexualização da mulata? Sem dúvida.


 

E essa? Pois é. Mas o dinheiro de seus impostos foi gasto para reprimir somente uma dessas imagens (a do Bonde das Maravilhas).... É bom lembrar que é a AGÊNCIA feminina, negra, que é a verdadeira ameaça à sociedade racista e machista.


Vemos um grande problema com o discurso da hiperssexualização das negras: na nossa opinião, ele não dá conta do recado de como uma sociedade racista trata a sexualidade negra.

Sim, obviamente existe a hiperssexualização. Mas isto é só um lado da questão. Tem, minimamente, mais dois: a DE-sexualização de determinadas negras: as mais velhas, as menos bonitas, a turma LGBT negra (que nem o movimento negro, nem as feministas, nem o movimento LGBT quer tocar, em geral) e a "sinhá negra". Pois se é verdade que a sociedade racista e machista sexualiza para discriminar, um custo disto é, que espera-se que as mulheres negras "sérias" e "profissionais" NÃO expressem nenhuma sexualidade, para serem levadas a sério.

É  a assim-chamada, "política da respeitabilidade",  que uma série de feministas negras anglo-americanas - mais notorieamente Patrícia Hill Collins - têm discutido.

O buraco é mais embaixo, segundo nosso olhar: não é a hiperssexualização que é tanto o problema quanto, o mito da sexualidade feminina negra como algo que precisa ser mantida sob os mais fortes controles sociais para não virar ameaça social. No fundo disto - e particularmente no Brasil, com sua história da eugenia através do "branqueamento" - encontra-se o medo da mitológica capacidade sexual-reprodutiva da mulher negra.

Em nossa opinião - mas também baseada em nossas leituras em feministas negras, como Patricia Hill Collins e Angela Davis - isto cria uma faca de dois gumes quando queremos falar da sexualidade negra, e, só um lado da questão costuma ser retratada pelos movimentos feministas e negras: a hiperssexualização.

Vemos, então, um enorme gritaria contra as moças do Bonde das Maravilhas por seu suposto reforço do estereótipo "hiperssexualizado" da mulher negra... mas não ouvimos quase nada quando as moças foram investigadas pelo Ministério Público e proibidas de dançar, como se esse tipo de censura fosse aceitável ou aplicada de forma democrática a todas as moças brasileiras, independente de cor.

Na Copa, vimos imagens de mulheres  negras que namoram estrangeiros associadas, sempre, com tráfico de pessoas e turismo sexual. Enquanto isto, nos mesmos jornais e noticiários da grande mídia, mulheres BRANCAS que interagiram com estrangeiros eram tratadas como espertas, inteligentes e aproveitadoras de boas oportunidade para namorar.

A sexualidade das jovens negras está sendo cada vez mais colocada sob uma ótica disciplinar e repressora em nome do "combate a exploração sexual". Enquanto isto, quando a filha adolescente branca da Xuxa (celebridade que tentou-se renovar como militante anti-exploração sexual) começou um namoro com um ator adulto, não houve nenhuma discussão sobre se isto constituia "explorção sexual": sendo joven e branca, você tem o direito de desenvolver sua sexualidade do jeito que quiser, desde que não machuca ninguém e não viola a lei. Sendo negra...

Ou seja, sob a bandeira da luta contra a "hipersexualização da negra", muitas vezes perigamos reforçar outro esterótipo racista e sexista: a da negra que precisa ser policiada e controlada pela sociedade (geralmente através da polícia) "para seu próprio bem".

É particularmente preocupante essa tendencia quando olhamos para como os movimentos negros e feministas lidam com a questão da sexualidade negra que não cai nos moldes da heteronormatividade. Nas semanas antes de Natal, quatro travestis negras foram brutalmente assassinadas no Rio, mas a única voz que ouvimos levantar em protesto foi a do pessoal de Jean Wyllys... representante gay que, ultimamente, parece ser o saco de pancadas favorito para certas facções dos movimentos negros e feministas (plurais) brasileiros.

Precisamos ter um diálogo importante e imediato sobre o que é, exatamente, a "hipersexualização" e como isto difere da simples expressão da sexualidade. Segundo nossas observações, existem muitos preconceitos e pressuposições acerca de tal sexualidade e o que ela "deve"  ser dentro das fileiras dos movimentos. Acreditamos que esses devem ser claramente enunciados e discutidos, abertamente.

Precisamos respeitar a AGÊNCIA de mulheres negras no campo sexual e não transformar a luta contra a hiperssexualização racista em mais um despositivo para a repressão das negras.

Aqui é um artigo que toca no centro dessa debate nos EUA. Vale a pena olhar.

Eis  a razão que ficamos preocupados quando certas feministas negras criticam, corretamente, a representação hiperssexualizada da mulher negra nas telas brasileiras mas, no próximo sopro, criticar certos tipos de mulheres negras - particularmente as jovens e/ou pobres - que curtem determinadas modas, músicas, ou comportamentos sexualizados. Nas palavras da autora do artigo acima citado:

"[Não devemos afirmar] que a maneira de neutralizar a nossa hiperssexualização por uma sociedade controlada por supremacia branca é, com efeito, nos tornar assexuada, destruindo assim a tela sobre a qual a supremacia branca projeta suas idéias sobre a sexualidade feminina negra. Enquanto eu posso ver o valor teorico desse ponto de vista,  acho que sua falha fatal é que coloca o ônus sobre as mulheres negras para reorientar, por meio do auto policiamento,  as imagens depreciativas que está sendo criadas e disseminadas sobre nós.

"Somos humanos, (embora a nossa humanidade seja muitas vezes questionada) e por isto as mulheres negras são, em geral, pessoas sexuais, assim como todos as outras. Nossa sexualidade é algo que é inerente à nossa pessoa, e isso é algo que devemos ser autorizadas a reclamar livremente (ou rejeitar) sem medo de represálias ou repercussões. Avançar de uma forma reacionária, recusando-se a ser sexual simplesmente por causa daquilo que a sociedade pode esperar de nós (por causa de nossos corpos femininos pretas), é negar a nós mesmos uma parte de nossa própria humanidade, a fim de reivindicar a nossa humanidade. Na minha cabeça, isso é contraintuitiva.Nenhuma pessoa deve ser obrigada a rejeitar a sexualidade no serviço de sua humanidade, porque a sexualidade faz parte da humanidade."

Uma resposta a Viviane de Paula e Ludimila de Souza Cruz.