Friday, April 10, 2015

Ô, Mané...


Monday, February 2, 2015

Macacos me mordem: orangutangos são traficados para a prostituição


Ouvimos desse caso hoje: aparentemente, orangutangos estão sendo forçados a se prostituir na Ásia.

Sempre atentos a necessidade de conscientizar o público brasileiro sobre o crime horrendo do tráfico, fizemos o seguinte cartaz.

Paulo Abrão, esperamos seu contato.

Tuesday, January 6, 2015

A hiperssexualização da mulher negra e a política da respeitabilidade.


Hiperssexualização da mulata? Sem dúvida.


 

E essa? Pois é. Mas o dinheiro de seus impostos foi gasto para reprimir somente uma dessas imagens (a do Bonde das Maravilhas).... É bom lembrar que é a AGÊNCIA feminina, negra, que é a verdadeira ameaça à sociedade racista e machista.


Vemos um grande problema com o discurso da hiperssexualização das negras: na nossa opinião, ele não dá conta do recado de como uma sociedade racista trata a sexualidade negra.

Sim, obviamente existe a hiperssexualização. Mas isto é só um lado da questão. Tem, minimamente, mais dois: a DE-sexualização de determinadas negras: as mais velhas, as menos bonitas, a turma LGBT negra (que nem o movimento negro, nem as feministas, nem o movimento LGBT quer tocar, em geral) e a "sinhá negra". Pois se é verdade que a sociedade racista e machista sexualiza para discriminar, um custo disto é, que espera-se que as mulheres negras "sérias" e "profissionais" NÃO expressem nenhuma sexualidade, para serem levadas a sério.

É  a assim-chamada, "política da respeitabilidade",  que uma série de feministas negras anglo-americanas - mais notorieamente Patrícia Hill Collins - têm discutido.

O buraco é mais embaixo, segundo nosso olhar: não é a hiperssexualização que é tanto o problema quanto, o mito da sexualidade feminina negra como algo que precisa ser mantida sob os mais fortes controles sociais para não virar ameaça social. No fundo disto - e particularmente no Brasil, com sua história da eugenia através do "branqueamento" - encontra-se o medo da mitológica capacidade sexual-reprodutiva da mulher negra.

Em nossa opinião - mas também baseada em nossas leituras em feministas negras, como Patricia Hill Collins e Angela Davis - isto cria uma faca de dois gumes quando queremos falar da sexualidade negra, e, só um lado da questão costuma ser retratada pelos movimentos feministas e negras: a hiperssexualização.

Vemos, então, um enorme gritaria contra as moças do Bonde das Maravilhas por seu suposto reforço do estereótipo "hiperssexualizado" da mulher negra... mas não ouvimos quase nada quando as moças foram investigadas pelo Ministério Público e proibidas de dançar, como se esse tipo de censura fosse aceitável ou aplicada de forma democrática a todas as moças brasileiras, independente de cor.

Na Copa, vimos imagens de mulheres  negras que namoram estrangeiros associadas, sempre, com tráfico de pessoas e turismo sexual. Enquanto isto, nos mesmos jornais e noticiários da grande mídia, mulheres BRANCAS que interagiram com estrangeiros eram tratadas como espertas, inteligentes e aproveitadoras de boas oportunidade para namorar.

A sexualidade das jovens negras está sendo cada vez mais colocada sob uma ótica disciplinar e repressora em nome do "combate a exploração sexual". Enquanto isto, quando a filha adolescente branca da Xuxa (celebridade que tentou-se renovar como militante anti-exploração sexual) começou um namoro com um ator adulto, não houve nenhuma discussão sobre se isto constituia "explorção sexual": sendo joven e branca, você tem o direito de desenvolver sua sexualidade do jeito que quiser, desde que não machuca ninguém e não viola a lei. Sendo negra...

Ou seja, sob a bandeira da luta contra a "hipersexualização da negra", muitas vezes perigamos reforçar outro esterótipo racista e sexista: a da negra que precisa ser policiada e controlada pela sociedade (geralmente através da polícia) "para seu próprio bem".

É particularmente preocupante essa tendencia quando olhamos para como os movimentos negros e feministas lidam com a questão da sexualidade negra que não cai nos moldes da heteronormatividade. Nas semanas antes de Natal, quatro travestis negras foram brutalmente assassinadas no Rio, mas a única voz que ouvimos levantar em protesto foi a do pessoal de Jean Wyllys... representante gay que, ultimamente, parece ser o saco de pancadas favorito para certas facções dos movimentos negros e feministas (plurais) brasileiros.

Precisamos ter um diálogo importante e imediato sobre o que é, exatamente, a "hipersexualização" e como isto difere da simples expressão da sexualidade. Segundo nossas observações, existem muitos preconceitos e pressuposições acerca de tal sexualidade e o que ela "deve"  ser dentro das fileiras dos movimentos. Acreditamos que esses devem ser claramente enunciados e discutidos, abertamente.

Precisamos respeitar a AGÊNCIA de mulheres negras no campo sexual e não transformar a luta contra a hiperssexualização racista em mais um despositivo para a repressão das negras.

Aqui é um artigo que toca no centro dessa debate nos EUA. Vale a pena olhar.

Eis  a razão que ficamos preocupados quando certas feministas negras criticam, corretamente, a representação hiperssexualizada da mulher negra nas telas brasileiras mas, no próximo sopro, criticar certos tipos de mulheres negras - particularmente as jovens e/ou pobres - que curtem determinadas modas, músicas, ou comportamentos sexualizados. Nas palavras da autora do artigo acima citado:

"[Não devemos afirmar] que a maneira de neutralizar a nossa hiperssexualização por uma sociedade controlada por supremacia branca é, com efeito, nos tornar assexuada, destruindo assim a tela sobre a qual a supremacia branca projeta suas idéias sobre a sexualidade feminina negra. Enquanto eu posso ver o valor teorico desse ponto de vista,  acho que sua falha fatal é que coloca o ônus sobre as mulheres negras para reorientar, por meio do auto policiamento,  as imagens depreciativas que está sendo criadas e disseminadas sobre nós.

"Somos humanos, (embora a nossa humanidade seja muitas vezes questionada) e por isto as mulheres negras são, em geral, pessoas sexuais, assim como todos as outras. Nossa sexualidade é algo que é inerente à nossa pessoa, e isso é algo que devemos ser autorizadas a reclamar livremente (ou rejeitar) sem medo de represálias ou repercussões. Avançar de uma forma reacionária, recusando-se a ser sexual simplesmente por causa daquilo que a sociedade pode esperar de nós (por causa de nossos corpos femininos pretas), é negar a nós mesmos uma parte de nossa própria humanidade, a fim de reivindicar a nossa humanidade. Na minha cabeça, isso é contraintuitiva.Nenhuma pessoa deve ser obrigada a rejeitar a sexualidade no serviço de sua humanidade, porque a sexualidade faz parte da humanidade."

Uma resposta a Viviane de Paula e Ludimila de Souza Cruz.

Sunday, May 4, 2014

Bad Omens for the World's Cup






Today's Globo reveals that 60% of the hotel rooms set aside for the Cup in São Paulo are empty. In other cities, the vacancies total between 30-40%. Only Rio seems to be OK, with a mere 10% vacancy rate. In Rio, however, the SAARA popular market - which normally sells Cup kitsch at an astonishing rate during this period - is a desert.

Last night, coming home from a brief expedition to Balcony Bar on Copa, my taxi driver - an elderly carioca who's seen many Cups come and go - made a very significant observation:

"We're a month away from the Cup, boy, and do you see any decorations in the street? NOTHING! The Top Hats [slang term for the waelthy owners of Brazil's football teams] might be saying they're'll be a Cup and sure, there will be games.

"But the population's decided differently. We aren't having a Cup."

This  morning, my mother-in-law, Dona Wanda Silva, made the exact same observation, independently.

The taxi driver was also CERTAIN that the fix was in: given the international outrage this Cup has generated, there's no way they can afford to have Brazil NOT win.

"It'll be just like France in '88 or Argentina in '78. There will be a miraculous victory for Brazil. God himself will come down from on high and point His finger at our team. That is the only way they'll be able to recover some enthusiasm for this whole sorry business. They're planning it now. Just you wait and watch, boy."

When the 70 year olds are making these sorts of observations, I'm inclined to believe them.

So for the first time in my life, I will be rooting AGAINST Brazil. No  offence.

It may be that the most telling sign of revolt against the FIFA World's Cup 2014 will not be masses of people rioting in the streets: it will be the Brazilian population's thunderous silence.

Friday, February 7, 2014

Olympic Bathrooms: Casinha Grande e Senzala?



Nick Trask
has some delightful commentary on Sochi bathroom hotels:

"On Sochi hotel toilets: Žižek was right that differences among toilets convey national ideologies. In this case: hastily and shoddily put together to impress Westerners, but also not giving a fuck because fuck Westerners! http://lacan.com/zizek-deep.htm

'It is easy for an academic at a round table to claim that we live in a pos
t-ideological universe, but the moment he visits the lavatory after the heated discussion, he is again knee-deep in ideology.'"

Brazilian Olympic planners should take this into consideration: you can jail dissidents, kill stray dogs, beat prostitutes, torture gays, evict poor communities at the point of the police baton and the Western media will still give you the benefit of the doubt.

Fuck with the journalists' shitters, however, and you'll have a PR disaster on your hands.

It's going to be fun to see how these same people react to Rio in six months time.

Here, toilets are completely schizophrenic.

Some rival anything in the first world for comfort and convenience, at least outwardly. Most, however, are cracked and stained, lacking seats, and can't reliably swallow toilet paper.

Even in the best bathrooms, however, where no expense has been spared to convince guests that they are crapping in civilized comfort, problems are routine. Brazilian plumbers have apparently never heard of S-traps, so sewer gas will frequently waft up from below. And, for some reason, bathroom builders here often have a hard time anchoring toilets to the floor. As you lean over to go for the paper, you'll thus often find yourself wobbling precariously on your porcelain throne.

Brazilian bathroom behavior is even more revealing. Many men display their patriarchical contempt for the (often literally) shitty accomodations by walking to the door of the commode and letting loose with a spray in the general direction of the bowl.

Meanwhile, women (educated from childhood on that the vagina is the sacred repository of the family's honor and should never be sullied by public exposure) often decide to perch on top of the toilet bowl, planting their feet on it and crouching to do their business (which might explained why the fixtures so commonly come unanchored in this country).

In spite of the fact that the Russians invented the name, however, Rio has had much more practice at building Potemkin Villages, so we'll see how many of these hard-boiled seekers of truth get fooled.